terça-feira, 10 de agosto de 2010

Dicas do Gus: Land of Talk - Cloak and Cipher (2010)

POSTADO POR GUSTAVO MEIRELLES - 10/08/2010

Ouvir Land of Talk é uma grande satisfação. Para aqueles que não conhecem a banda, trata-se de um grupo canadense formado em 2005 que conta com os mágicos vocais de Elizabeth Powell, a alma do trio de Montreal. Transitando entre vocais aveludados e sensuais até momentos de pura euforia, a banda conseguiu muitos elogios com o debut Some Are Lakes e, particularmente, a faixa-título desse primeiro álbum é a minha canção favorita deles, e também a mais bela.

Transcorridos dois anos desde o trabalho anterior, o grupo canadense retorna à ativa com Cloak and Cipher, talvez mais equilibrado e maduro. Muito do que se ouviu em Some Are Lakes permanece, mas de forma mais contida e melhor projetada. Confesso que não sou lá muito fã de vocais femininos, mas admito que não tem como escapar da autenticidade e talento de Elizabeth.

A bolacha inicia com a faixa-título "Cloak and Cipher": acústica, bateria ritmada, vocais quase sussurrados - é a introdução para o que se pode esperar daqui para frente; melodias trabalhadas e letras sinceras e cativantes. "Goaltime Exposure" é o que se poderia chamar de uma balada apaixonante com seus momentos de altos e baixos com vocais descompassados no estilo autêntico e sensual de Elizabeth; para ouvir no quarto e se perder em pensamentos. "Quarry Hymns" é a agitadinha do disco e quebra um galho para danças preguiçosas.

"Swift Coin" flerta com o shoegaze e o noise meio My Blood Valentine e um Sleigh Bells desacelerado. "Color Me Badd" faz a linha Florence and the Machine com ritmo e refrão enérgicos. "The Hate I Won't Commit" é arrastada e mantém o estilo noise/shoegaze/lo-fi. "Hamburg, Noon" é um híbrido da guitarra e vocais quase etéreos de Elizabeth levados pela bateria dominadora de Andrew Barr; talvez seja a faixa onde a banda se mostra mais unida e concisa. "Playita" é a baladinha romântica que sempre poderemos esperar nos trabalhos do Land of Talk, mas sem aquela ingenuidade das bandas pop românticas. A bolacha termina com a reflexiva "Better and Closer" com seus dedilhados de violão num clima acústico e atmosfera de sonho com os famosos sussurros da vocalista.


O Land of Talk é uma banda que nasceu pronta e que fascina justamente por estar pronta mas não soar perfeita demais ou plástica demais. Nada é moldado ou segue uma receita. É apenas intuição feminina e bons profissionais envolvidos num projeto que já em seu segundo trabalho supera expectativas e traz mais qualidade às nossas audições sedentas por boas canções. Não deixe passar!

Land of Talk - Cloak and Cipher (2010)


Nota: 8,9

5 comentários:

Priscila disse...

Poh, eu daria uma nota maior pro Land, se bem que ainda ando um tanto "atordoada" com o The suburbs do Arcade fire e posso estar achando tudo lindo demais...

Gus disse...

Então, Priscila. Na verdade, assim como vc também sou muito fã do Land. Mas na minha opinião, essa nota foi a mais adequada pois faltou á banda inovar mais. Esse novo disco está muito bom, sem dúvidas, mas faltou aquela "cara nova", talvez até um pouco de "experimentalismo" da parte deles. Mas valeu aí pelo toque. Abço.

Cheguei ao blog procurando por fotos da Liz Powell no Google. Ouvi bem pouco do último CD, mas de cara achei-o bem menos cru que o primeiro. Eu tinha me acostumado com o som do trio -- e me animava a idéia de a banda estar toda na guitarra de uma mulher --, mas me acostumo com o som mais elaborado.

Bom saber que há quem goste de Land of Talk por aqui.

Anônimo disse...

"Cloak and Cipher" é o terceiro trabalho da banda. O primeiro foi "Applause, Cheer, Boo, Hiss" e o segundo "Some are Lakes".

Anônimo disse...

Hah! Errei. É o quarto trabalho da banda. Entre o Some are Lakes e o Cloak and Cipher teve o EP Fun and Laughter... agora fiquei curioso pra ver esse Fun and Laughter.

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